sábado, 16 de junho de 2012

Além do Horizonte da Vida - Thais S Francisco

 

Como se fosse o crepúsculo que silenciosamente vem
 cobrindo o dia, com o manto da noite, a vida caminha em sóis e chuvas
risos, tarefas, rotinas, lazer, mas, em certo momento, silencia a companhia, que parte silenciosa tal qual o dia que o manto da noite silencia... Sabemos que ele existiu, e nele tantas coisas ficaram marcadas, não o vemos mais, a noite o encobriu, passou... Chamamos então de ontem...mas, guardamos na lembrança, cada detalhe vivido...

Assim é Com a Vida
Um dia qualquer, o destino silenciosamente estende seu manto sobre aqueles que amamos e quase sem tempo de um Adeus, silencia a voz, silencia a vida. Mas, a lembrança de cada detalhe é vivo. A saudade aperta com mãos firmes o coração dos que ficaram, para um novo amanhecer, sem a companhia.

A emoção verte lágrimas, orações, soluços incontidos mostrando que estávamos cientes de que a vida é assim mas, quase nunca estamos preparados para dizer Adeus, ou até mesmo 'Até breve', para quem segue no barco do destino, nos deixando sós, no porto do tempo.

Apenas seguem antes de nós, percorrendo o caminho de retorno ao verdadeiro Lar. Nesta viagem, não carece levar bagagem, apenas o aprendizado, ao qual se tem a oportunidade a cada novo dia aqui na Terra vivido.
Igual ao veleiro que singrando rumo ao horizonte, parece aos que em terra firme ficam, que sumiu... pois o olhar não mais o alcança. Apenas sumiu de nossa visão, pois continua sua jornada além do horizonte, onde outros o esperam em porto seguro, no qual um dia, todos nós desembarcaremos e nos encontraremos, com as bênçãos do Pai Criador.

Queridos nossos que já transpassaram a linha do horizonte, em oração, meditação e recolhimento, oramos. Pedimos que os Anjos do Senhor levem nossas preces de carinho e amor. E, que possam ser entregues a cada um a nossa lembrança, a nossa saudade e o nosso Respeito aos desígnios de Deus.

A Saudade, é a forma do Amor e do Querer Bem de dizerem que existiram e que existirão sempre, além de qualquer horizonte!!!
Deus esteja com todos, aqui, e além do Horizonte da Vida!
 
                                                                    [enviado pela amiga Aliene]

sábado, 28 de abril de 2012

Eu não escalei as montanhas autríacas para colher edelweiss, mas trouxe um pra você. Que a pureza destes lirios encantem os seus olhos! Tenha um lindo feriado.
Vincent Van Gogg

fazendo arte com barquinhos


pescando em Ubatuba

A felicidade está em pequenas coisas!

domingo, 1 de abril de 2012

Pensando na vida...


Tem dias em que a gente se sente como quem partiu...

Não diria morreu, mas quem parou para pensar na partida, no adeus da partida, aquele que agoniza mas não morre.

O por do sol chega de mansinho todos os dias, chega o vento, a ventania em forma de roda que o furacão leva embora, leva a saudade, leva a alegria, leva a roseira e o destino pra algum canto que não encontramos.

Parece que ficou no triangulo perdido das Bermudas. Será...?

Está lá no profundo do seu eu em busca de uma possibilidade: emergir para dizer que tudo valeu. Valeu o muito de quase tudo e o pouco de quase nada...

Sonia Pineda Vicente

Carlos Drummond de Andrade


NÃO DEIXE O AMOR PASSAR
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor. Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.

AS SEM-RAZÕES DO AMOR
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

John Lennon, São Francisco, Gandhi


Ontem à tarde, o sol no céu me lembrou o Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis. “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente pelo irmão Sol”.
Pensava no que o Santo teria sentido para louvar o sol e tudo o que foi criado,
na beleza do que estava vendo, no seu sentimento.
Ao voltar da caminhada, a lembrança de John Lennon veio a mim.
O seu jeito de cantar, o seu sentimento, o que nos deixou nas suas canções.
Gandhi veio também è lembrança.
“Guia-me, amável luz, a través da escuridão circundante, guia-me adiante”.
Partilho estas coisas agora, quando o sol já está no céu, e o dia já começou.

Rolando Lazarte

Pequeno Esclarecimento - Mario Quintana


'Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns superticiosos,

nem sujeitos a ataques súbitos de levitação.

O de que eles mais gostam é estar em silêncio -

um silêncio que subjaz a quiasquer escapes motorísticos e declamatórios.

Um silêncio..

Este impoluivel silêncio em que escrevo e em que você me lê.

Que neste impoluível silêncio você tenha o verdadeiro e mágico encontro consigo mesmo.'


Mario Quintana


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Filosofia de vida - Rolando Lazarte


Com o passar do tempo, podes ter ido incorporando uma noção equivocada acerca de ti mesmo, de quem és, da pessoa que em verdade aninha nesse corpo. O trabalho do sistema capitalista é o do estranhamento da pessoa, o de fazer com que, de fato, não nos queiramos como somos. Os nossos pais, a cultura, as pessoas em volta, funcionam como mãos executoras dessa tarefa perversa, a alienação, o processo pelo qual vais te distanciando de ti mesmo e de ti mesma. Mas a solução não é esbravejar contra a nossa família ou contra o sistema em abstrato, contra as classes dominantes, contra a educação que tivemos, contra os fatos que nos tocou viver. Isso tudo é um jogo de dominó que apenas começa a se desfazer desde dentro, num trabalho construtivo de recuperação da própria identidade, da noção do ser autêntico que cada um de nós, é, do que podemos, do amor que nos cabe ter por nós mesmos. O nosso passado é o estrume donde brota a planta, donde nasce a flor.

Rolando Lazarte

DESEJOS - Victor Hugo


Desejo primeiro, que você ame, e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde magoa.
Desejo pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis,
e que em pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar,
e porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos;
nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes,
você se interpele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.


Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.


Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que fazendo bom uso dessa tolerância,
você sirva de exemplo aos outros.


Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais, e que sendo maduro,
não insista em rejuvenescer e que sendo velho não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.


Desejo por sinal que você seja triste; não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom; o riso habitual é insosso e
o riso constante é insano.


Desejo que você descubra, com o máximo de urgência,
acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos,
injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.


Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o João-de-barro
erguer triunfante o seu canto matinal; porque assim, você se sentirá bem por nada.


Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja,
e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba
de quantas muitas vidas é feita uma árvore.


Desejo outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga "Isso é meu", só para que fique bem claro quem é o dono de quem.


Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você,
mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.


Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher,
e que sendo uma mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje,
amanhã e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho nada mais a te desejar.

Victor Hugo

SE - Mahatma Gandhi



Se...

Se eu pudesse deixar algum presente a você,
deixaria acesso ao sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora...
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo
a resposta e a força para encontrar a saída."

Mahatma Gandhi

O que buscamos


'Dizem que tudo o que buscamos, também nos busca e, se ficarmos quietos, o que buscamos nos encontrará. Há algo que leva muito tempo esperando por nós. Enquanto não chega, nada faça. Descanse. Você verá o que acontece enquanto isto'.

domingo, 22 de janeiro de 2012

APAIXONE-SE

Apaixone-se por alguém que te curte, que te espere, que te compreenda mesmo na loucura; por alguém que te ajude, que te guie, que seja teu apoio, tua esperança. Apaixone-se por alguém que volte para conversar com você depois de uma briga, depois do desencontro, por alguém que caminhe junto a ti, que seja teu companheiro. Apaixone-se por alguém que sente sua falta e que queira estar com você. Não apaixone-se apenas por um corpo ou por um rosto; ou pela idéia de estar apaixonado.
Tati Bernardi

domingo, 15 de janeiro de 2012

Mario Quintana



"Com o tempo,
você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa,
você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquele(a) cara que você ama (ou acha que ama)
e que não quer nada com você,
definitivamente, não é o homem(a mulher) da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e,
principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...
É cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar,
não quem você estava procurando,
mas quem estava procurando por você"





Almas em Reencontro - Paulo Roberto Gaefke

Na imensidão do vazio da minha vida,
eu me procuro em alguma parte que não acho.
Eu vasculho nas minhas coisas em busca de algo que eu não sei. Ando pelas ruas sem o “GPS” do meu coração,
afastando-me assim do medo de uma nova ilusão.

Mas me perco em estreitos becos da minha insanidade.
E a sua ausência de pessoa que eu não conheço, mas busco,
que não sei como se chama, mas que grito o nome vagamente…

Não tenho a menor idéia de como nos encontraremos, mas sinto que há um fio, uma linha que hoje está cruzada, que me levará até você em linha reta, e quando nossos olhos se encontrarem, quando as nossas buscas se reunirem,
talvez na praça perto de casa,
ou naquela viagem distante onde fugi de mim mesmo,
mostrarão o tamanho das nossas necessidades.

Nos entregaremos então, na volúpia do desejo da alma,
que muito além do prazer da carne ansiosa, da boca sedenta e sequiosa, se entrega em doces devaneios, sonhos de apaixonados em uma tarde qualquer, de um ano qualquer, em um ponto do mapa, onde só os corações que se entregam ao amor sabem onde é.

Eu já sou parte de você, ainda que você não saiba.
Almas prometidas, guardadas um para o outro.
Amor além do tempo, amor de reencontro.
No exato espaço de tempo que chamamos de futuro,
que pode ser extamente agora, quando nos permitimos viver o amor mais de uma vez.

Eu acredito em você


(enviado pela amiga Aliene do site meuanjo.com.br)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Um abraço

Num abraço verdadeiro só se escuta o tic tac do coração!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

EVOCACIÓN


Hay unos días en que andas como que buscándote. Buscando algo de ti en el mundo interno y en el externo. Miras las estrellas y las nubes, las plantas. Oyes los pájaros y el viento. Tratas de descubrir ecos de ti en la gente que anda por ahí cerca, en las voces, los recuerdos, las saudades. Hay veces que se te figura este tu estar en el mundo, una como que evocación de algo muy vasto e inmenso, algo que se extiende hasta los confines del Universo, algo que pulsa. Pulsas, y en esa pulsación la respiración de todo lo que existe es tu propio respirar. La vida pasada presente y futura, son una sola cosa, una sola diástole y sístole. Eres tú respirando, el Universo.

Rolando Lazarte

domingo, 6 de novembro de 2011

Andanças


Ontem, 'viajando' no banco do vagão do Metrô para o bairro Sumaré observei a singularidade das pessoas que adentram o trem. De acordo com a estação, um tipo diferente, uma particularidade aqui, outra ali, nos hábitos e costumes, o modo de vestir, a moda que segue, da 'patricinha' à menininha da favela, um colorido diferente, do funk dos fones do celular de uma mãe que doia meus ouvidos ao fone de ouvido chiquérrimo de uma modelo ao meu lado que não vazava nada do que ela estava ouvindo...
O casal com o bebê de menos de um ano no colo do pai, que não aceitou o acento especail azul e a mamãe com uma barriga imensa (2. filho a caminho!) que também não quis sentar quando o senhorzinho cedeu seu lugar... Pensei vão descer na próxima estação, e o senhorzinho ficou de pé!
Passaram 4 estações... Não acreditei! Pensei comigo, como aquele banco azul pôde ficar vazio tanto tempo com tanta gente no vagão? Isto está além das minhas possibilidades de reflexão...
Do outro lado observo o sr. japa e a sra. japa, ambos de calças largas, confortáveis e bonés de proteção solar, provavelmente voltando de um clube ou quadra de golfe (os tacos estavam na mochila que ele carregava). Uma graça! Era 3 da tarde e o 'boné' dela mais parceia um chapéu de casamento... dentro de um metro quase lotado parecia estranho, outro mundo, sei lá... O que me incomodou? Eles não trocaram uma só palavra durante o tempo que estiveram ali... Eu que a principio os achei um casal tão simpático, voltando de um jogo...que lindo. Quando desceram do trem ele seguiu rápido na frente dela, ela tentou chamá-lo, levantou o braço, ele olhou feio, remungou e seguiu na frente... ( Solidão a dois???, nesta idade? que triste...).
O que mais me incomoda quando ando de metrô:
- a falta de comunicação entre as pessoas que estão juntas, as crianças que mostram propagandas coloridas para às mães e estas não dão a mínima atenção (isto acontece sempre...);
- o som vazando dos fones de ouvido de celulares, ifones, em decibéis que detonam qualquer ouvido, menos os do usuário (que já devem estar denotados, é claro);
- aquelas pessoas (especialmente homens) que escarram na entrada ou saída do metrô... aff ninguém merece...e ainda bem que é do lado de fora ou quase, e que por dentro, ainda temos um dos metrôs mais limpos do mundo!


Solidão - Nietzsche



' Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas...
detesto quem me rouba a solidão,
sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia. '
(Nietzsche)

sábado, 22 de outubro de 2011

TELETON - AACD


TELETON

Com o objetivo de ampliar a quantidade de atendimentos, que até 1998 eram centralizados na unidade de São Paulo, a AACD criou o Teleton, uma maratona televisiva que busca conscientizar a população a respeito das possibilidades de um deficiente físico, gerando grande mobilização social.

Além de prestar contas das atividades realizadas pela entidade, é uma das principais ferramentas de captação de recursos da instituição.

PARTICIPE DA CAMPANHA TELETON
Como doar:
0500 12345 05 – R$ 5,00
0500 12345 10 – R$ 10,00
0800 774 2011 – para doações acima de R$ 30,00
www.teleton.org.br – doação de qualquer valor acima de R$ 5,00

domingo, 16 de outubro de 2011

dia do dentista 25 de outubro

Comemora-se o Dia do Dentista em 25 de outubro, porque nesta data, em 1884, foi assinado o decreto 9.311, que criou os primeiros cursos de graduação de odontologia do Brasil, no Rio de Janeiro e na Bahia. Uma portaria do Conselho Federal de Odontologia tornou a data oficial para a comemoração do Dia do Dentista Brasileiro.

O dia mundial do dentista é comemorado em 03 de outubro.

A primeira escola de Odontologia, para formar dentistas, surgiu em 1840, em Baltimore, nos Estados Unidos.


SER PROFESSOR


Ser professor é professar a fé

e a certeza de que tudo terá valido a pena

se o aluno sentir-se feliz pelo que aprendeu com você

e pelo que ele lhe ensinou...

Ser professor é consumir horas e horas

pensando em cada detalhe daquela aula que,

mesmo ocorrendo todos os dias, a cada dia é única e original...

Ser professor é entrar cansado numa sala de aula e,

diante da reação da turma,

transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender...

Ser professor é importar-se com o outro

numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara

que necessita de atenção, amor e cuidado.

Ser professor é ter a capacidade de

"sair de cena, sem sair do espetáculo".

Ser professor é apontar caminhos,

mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés...


Parabéns pelo seu dia hoje e sempre!!


[enviado pela amiga dra. Dirce Assis]

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Paz do Meu Amor - Luiz Vieira



Você é isso:


Uma beleza imensa,


Toda recompensa de um amor sem fim.


Você é isso:


Uma nuvem calma


No céu de minh'alma;


é ternura em mim.


Você é isso:


Estrela matutina,


Luz que descortina um mundo encantador.


Você é isso:


É parto de ternura,


Lágrima que é pura,


paz do meu amor!!!

Tocando em Frente



Ando devagar porque já tive pressa. . .



Levo a certeza de que muito pouco eu sei... ou nada sei...



Sinto que seguir a vida seja simplesmente conhecer a marcha e ir tocando em frente!



É preciso amor pra poder pulsar.



É preciso paz pra poder seguir e é preciso a chuva para florir...



Cada um de nós compõe a sua própria história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz!



Composição de Almir Sater


quarta-feira, 8 de junho de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

Assim é a vida na natureza...


o Sol se põe, mais um dia termina...








uma árvore é curada e forma uma cicatriz... ela sobrevive e bem! Alguem cuida...











a natureza recicla e do novo broto uma nova árvore com frutos...


por Sonia Pineda Vicente




“Envelhecer” de Bastos Tigre



“Do que tiveres no pomar plantado.

Apanha os frutos e colhes as flores

Mas lavra ainda e planta o teu eirado,

que outros virão colher quando te fores.

Quem dá, recebeu antes; quem serve já foi servido;

nem sempre o que colhe as searas as semeou, pois outros o fizeram antes,

desinteressadamente”.

'Confissões' de Santo Agostinho





“Interroguei a terra e tudo o que ela contém.

Ela me disse: “não sou eu”.

Interroguei o mar, os abismos e os seres que os povoam,

Responderam-me: “Não somos o teu Deus, procura outro”.

Interroguei o vento e o ar com seus habitantes,

Disseram-me: “Anaxímenes se engana, eu não sou Deus”.

Interroguei o céu, o sol, a lua e as estrelas,

Disseram-me: “Nós também não somos o Deus que procuras”.

Perguntei então aos seres que estão à portas de minha carne:

“Desse Deus, que não sois vós, dizei-me alguma coisa”...

Então, com voz forte, exclamaram: “Foi Ele quem nos fez”.

Minha interrogação é minha reflexão interior.

A resposta deles é o lado externo.

Tornei-me, então, para mim mesmo

E disse-me a mim mesmo: “Quem és tu?”

E eu respondi: “Um homem, eis o que sou”.

Dois lados, porém se apresentam a mim:

Um externo, outro interno: corpo e alma.

Os dois me ajudaram a encontrar Deus.

A vida de meu corpo é minha alma

Mas a vida de minha alma és tu.

Tarde te amei

Estavas dentro de mim

Mas eu estava fora.

Estavas comigo e não estava contigo ...

Tocaste-me: inflamei-me pela paz que me destes”.





segunda-feira, 9 de maio de 2011

Carta do papa João Paulo II aos artistas - parte I

1999

A todos aqueles que apaixonadamente procuram novas « epifanias » da beleza para oferecê-las ao mundo como criação artística.

1,31).

O artista, imagem de Deus Criador

1. Ninguém melhor do que vós, artistas, construtores geniais de beleza, pode intuir algo daquele pathos com que Deus, na aurora da criação, contemplou a obra das suas mãos. Infinitas vezes se espelhou um relance daquele sentimento no olhar com que vós — como, aliás, os artistas de todos os tempos —, maravilhados com o arcano poder dos sons e das palavras, das cores e das formas, vos pusestes a admirar a obra nascida do vosso génio artístico, quase sentindo o eco daquele mistério da criação a que Deus, único criador de todas as coisas, de algum modo vos quis associar.

Pareceu-me, por isso, que não havia palavras mais apropriadas do que as do livro do Génesis para começar esta minha Carta para vós, a quem me sinto ligado por experiências dos meus tempos passados e que marcaram indelevelmente a minha vida. Ao escrever-vos, desejo dar continuidade àquele fecundo diálogo da Igreja com os artistas que, em dois mil anos de história, nunca se interrompeu e se prevê ainda rico de futuro no limiar do terceiro milénio.

Na realidade, não se trata de um diálogo ditado apenas por circunstâncias históricas ou motivos utilitários, mas radicado na própria essência tanto da experiência religiosa como da criação artística. A página inicial da Bíblia apresenta-nos Deus quase como o modelo exemplar de toda a pessoa que produz uma obra: no artífice, reflecte-se a sua imagem de Criador. Esta relação é claramente evidenciada na língua polaca, com a semelhança lexical das palavras stwórca (criador) e twórca (artífice).

1,28-31). Nos dias anteriores, como que marcando o ritmo da evolução cósmica, Javé tinha criado o universo. No final, criou o homem, o fruto mais nobre do seu projecto, a quem submeteu o mundo visível como um campo imenso onde exprimir a sua capacidade inventiva. 1,28). Foi no último dia da criação (cf. 1,27), a Bíblia acrescenta que Ele confiou-lhes a tarefa de dominarem a terra (cf. Qual é a diferença entre « criador » e « artífice »? Quem cria dá o próprio ser, tira algo do nada — ex nihilo sui et subiecti, como se costuma dizer em latim — e isto, em sentido estrito, é um modo de proceder exclusivo do Omnipotente. O artífice, ao contrário, utiliza algo já existente, a que dá forma e significado. Este modo de agir é peculiar do homem enquanto imagem de Deus. Com efeito, depois de ter afirmado que Deus criou o homem e a mulher « à sua imagem » (cf.)

Por conseguinte, Deus chamou o homem à existência, dando-lhe a tarefa de ser artífice. Na « criação artística », mais do que em qualquer outra actividade, o homem revela-se como « imagem de Deus », e realiza aquela tarefa, em primeiro lugar plasmando a « matéria » estupenda da sua humanidade e depois exercendo um domínio criativo sobre o universo que o circunda. Com amorosa condescendência, o Artista divino transmite uma centelha da sua sabedoria transcendente ao artista humano, chamando-o a partilhar do seu poder criador. Obviamente é uma participação, que deixa intacta a infinita distância entre o Criador e a criatura, como sublinhava o Cardeal Nicolau Cusano: « A arte criativa, que a alma tem a sorte de albergar, não se identifica com aquela arte por essência que é própria de Deus, mas constitui apenas comunicação e participação dela ».(1)

Por isso, quanto mais consciente está o artista do « dom » que possui, tanto mais se sente impelido a olhar para si mesmo e para a criação inteira com olhos capazes de contemplar e agradecer, elevando a Deus o seu hino de louvor. Só assim é que ele pode compreender-se profundamente a si mesmo e à sua vocação e missão.

A vocação especial do artista

2. Nem todos são chamados a ser artistas, no sentido específico do termo. Mas, segundo a expressão do Génesis, todo o homem recebeu a tarefa de ser artífice da própria vida: de certa forma, deve fazer dela uma obra de arte, uma obra-prima.

É importante notar a distinção entre estas duas vertentes da actividade humana, mas também a sua conexão. A distinção é evidente. De facto, uma coisa é a predisposição pela qual o ser humano é autor dos próprios actos e responsável do seu valor moral, e outra a predisposição pela qual é artista, isto é, sabe agir segundo as exigências da arte, respeitando fielmente as suas regras específicas.(2) Assim, o artista é capaz de produzir objectos, mas isso de per si ainda não indica nada sobre as suas disposições morais. Neste caso, não se trata de plasmar-se a si mesmo, de formar a própria personalidade, mas apenas de fazer frutificar capacidades operativas, dando forma estética às ideias concebidas pela mente.

Mas, se a distinção é fundamental, importante é igualmente a conexão entre as duas predisposições: a moral e a artística. Ambas se condicionam de forma recíproca e profunda. De facto, o artista, quando modela uma obra, exprime-se de tal modo a si mesmo que o resultado constitui um reflexo singular do próprio ser, daquilo que ele é e de como o é. Isto aparece confirmado inúmeras vezes na história da humanidade. De facto, quando o artista plasma uma obra-prima, não dá vida apenas à sua obra, mas, por meio dela, de certo modo manifesta também a própria personalidade. Na arte, encontra uma dimensão nova e um canal estupendo de expressão para o seu crescimento espiritual. Através das obras realizadas, o artista fala e comunica com os outros. Por isso, a História da Arte não é apenas uma história de obras, mas também de homens. As obras de arte falam dos seus autores, dão a conhecer o seu íntimo e revelam o contributo original que eles oferecem à história da cultura.

A vocação artística ao serviço da beleza

3. Um conhecido poeta polaco, Cyprian Norwid, escreveu: « A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir ».(3)

O tema da beleza é qualificante, ao falar de arte. Esse tema apareceu já, quando sublinhei o olhar de complacência que Deus lançou sobre a criação. Ao pôr em relevo que tudo o que tinha criado era bom, Deus viu também que era belo.(4) A confrontação entre o bom e o belo gera sugestivas reflexões. Em certo sentido, a beleza é a expressão visível do bem, do mesmo modo que o bem é a condição metafísica da beleza. Justamente o entenderam os Gregos, quando, fundindo os dois conceitos, cunharam uma palavra que abraça a ambos: « kalokagathía », ou seja, « beleza-bondade ». A este respeito, escreve Platão: « A força do Bem refugiou-se na natureza do Belo ».(5)

25,14-30), se deve pôr a render.Vivendo e agindo é que o homem estabelece a sua relação com o ser, a verdade e o bem. O artista vive numa relação peculiar com a beleza. Pode-se dizer, com profunda verdade, que a beleza é a vocação a que o Criador o chamou com o dom do « talento artístico ». E também este é, certamente, um talento que, na linha da parábola evangélica dos talentos (cf.

Tocamos aqui um ponto essencial. Quem tiver notado em si mesmo esta espécie de centelha divina que é a vocação artística — de poeta, escritor, pintor, escultor, arquitecto, músico, actor... —, adverte ao mesmo tempo a obrigação de não desperdiçar este talento, mas de o desenvolver para colocá-lo ao serviço do próximo e de toda a humanidade.

O artista e o bem comum

4. De facto, a sociedade tem necessidade de artistas, da mesma forma que precisa de cientistas, técnicos, trabalhadores, especialistas, testemunhas da fé, professores, pais e mães, que garantam o crescimento da pessoa e o progresso da comunidade, através daquela forma sublime de arte que é a « arte de educar ». No vasto panorama cultural de cada nação, os artistas têm o seu lugar específico. Precisamente enquanto obedecem ao seu génio artístico na realização de obras verdadeiramente válidas e belas, não só enriquecem o património cultural da nação e da humanidade inteira, mas prestam também um serviço social qualificado ao bem comum.

A vocação diferente de cada artista, ao mesmo tempo que determina o âmbito do seu serviço, indica também as tarefas que deve assumir, o trabalho duro a que tem de sujeitar-se, a responsabilidade que deve enfrentar. Um artista, consciente de tudo isto, sabe também que deve actuar sem deixar-se dominar pela busca duma glória efémera ou pela ânsia de uma popularidade fácil, e menos ainda pelo cálculo do possível ganho pessoal. Há, portanto, uma ética ou melhor uma « espiritualidade » do serviço artístico, que a seu modo contribui para a vida e o renascimento do povo. A isto mesmo parece querer aludir Cyprian Norwid, quando afirma: « A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir ».

A arte face ao mistério do Verbo encarnado

4,4). Deus fez-Se homem em Jesus Cristo, que Se tornou assim « o centro de referência para se poder compreender o enigma da existência humana, do mundo criado, e mesmo de Deus ».(6) 3,14). No mistério da Encarnação, porém, o Filho de Deus tornou-Se visível em carne e osso: « Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher » ( 27,15), porque Ele transcende qualquer representação material: « Eu sou Aquele que sou » (5. A Lei do Antigo Testamento contém uma proibição explícita de representar Deus invisível e inexprimível através duma « estátua esculpida ou fundida » (

Esta manifestação fundamental do « Deus-Mistério » apresenta-se como estímulo e desafio para os cristãos, inclusive no plano da criação artística. E gerou-se um florescimento de beleza, cuja linfa proveio precisamente daqui, do mistério da Encarnação. De facto, quando Se fez homem, o Filho de Deus introduziu na história da humanidade toda a riqueza evangélica da verdade e do bem e, através dela, pôs a descoberto também uma nova dimensão da beleza: a mensagem evangélica está completamente cheia dela.

A Sagrada Escritura tornou-se, assim, uma espécie de « dicionário imenso » (P. Claudel) e de « atlas iconográfico » (M. Chagall), onde foram beber a cultura e a arte cristã. O próprio Antigo Testamento, interpretado à luz do Novo, revelou mananciais inexauríveis de inspiração. Desde as narrações da criação, do pecado, do dilúvio, do ciclo dos Patriarcas, dos acontecimentos do êxodo, passando por tantos outros episódios e personagens da História da Salvação, o texto bíblico atiçou a imaginação de pintores, poetas, músicos, autores de teatro e de cinema. Uma figura como a de Job, só para dar um exemplo, com a problemática pungente e sempre actual da dor, continua a suscitar conjuntamente interesse filosófico, literário e artístico. E que dizer então do Novo Testamento? Desde o Nascimento ao Gólgota, da Transfiguração à Ressurreição, dos milagres aos ensinamentos de Cristo, até chegar aos acontecimentos narrados nos Actos dos Apóstolos ou previstos no Apocalipse em chave escatológica, inúmeras vezes a palavra bíblica se fez imagem, música, poesia, evocando com a linguagem da arte o mistério do « Verbo feito carne ».

Tudo isto constitui, na história da cultura, um amplo capítulo de fé e de beleza. Dele tiraram proveito sobretudo os crentes para a sua experiência de oração e de vida. Para muitos deles, em tempos de escassa alfabetização, as expressões figurativas da Bíblia constituíram mesmo um meio concreto de catequização.(7) Mas para todos, crentes ou não, as realizações artísticas inspiradas na Sagrada Escritura permanecem um reflexo do mistério insondável que abraça e habita o mundo.

Carta do papa João Paulo II aos artistas - parte II

Entre Evangelho e arte, uma aliança profunda

6. Com efeito, toda a intuição artística autêntica ultrapassa o que os sentidos captam e, penetrando na realidade, esforça-se por interpretar o seu mistério escondido. Ela brota das profundidades da alma humana, lá onde a aspiração de dar um sentido à própria vida se une com a percepção fugaz da beleza e da unidade misteriosa das coisas. Uma experiência partilhada por todos os artistas é a da distância incolmável que existe entre a obra das suas mãos, mesmo quando bem sucedida, e a perfeição fulgurante da beleza vislumbrada no ardor do momento criativo: tudo o que conseguem exprimir naquilo que pintam, modelam, criam, não passa de um pálido reflexo daquele esplendor que brilhou por instantes diante dos olhos do seu espírito.

17,24.29). Se já a realidade íntima das coisas se situa « para além » das capacidades de compreensão humana, quanto mais Deus nas profundezas do seu mistério insondável!O crente não se maravilha disto: sabe que se debruçou por um instante sobre aquele abismo de luz que tem a sua fonte originária em Deus. Há porventura motivo para admiração, se o espírito fica de tal modo inebriado que não sabe exprimir-se senão por balbuciações? Ninguém mais do que o verdadeiro artista está pronto a reconhecer a sua limitação e fazer suas as palavras do apóstolo Paulo, segundo o qual Deus « não habita em santuários construídos pela mão do homem », pelo que « não devemos pensar que a Divindade seja semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e engenho do homem » (

Já de natureza diversa é o conhecimento de fé: este supõe um encontro pessoal com Deus em Jesus Cristo. Mas também este conhecimento pode tirar proveito da intuição artística. Modelo eloquente duma contemplação estética que se sublima na fé são, por exemplo, as obras do Beato Fra Angélico. A este respeito, é igualmente significativa a lauda extasiada, que S. Francisco de Assis repete duas vezes na chartula, redigida depois de ter recebido os estigmas de Cristo no monte Alverne: « Vós sois beleza... Vós sois beleza! ».(8) S. Boaventura comenta: « Contemplava nas coisas belas o Belíssimo e, seguindo o rasto impresso nas criaturas, buscava por todo o lado o Dilecto ».(9)

Uma perspectiva semelhante aparece na espiritualidade oriental, quando Cristo é designado como « o Belíssimo de maior beleza que todos os mortais ».(10) Assim comenta Macário, o Grande, a beleza transfigurante e libertadora que irradia do Ressuscitado: « A alma que foi plenamente iluminada pela beleza inexprimível da glória luminosa do rosto de Cristo, fica cheia do Espírito Santo (...) é toda olhos, toda luz, toda rosto ».(11)

Toda a forma autêntica de arte é, a seu modo, um caminho de acesso à realidade mais profunda do homem e do mundo. E, como tal, constitui um meio muito válido de aproximação ao horizonte da fé, onde a existência humana encontra a sua plena interpretação. Por isso é que a plenitude evangélica da verdade não podia deixar de suscitar, logo desde os primórdios, o interesse dos artistas, sensíveis por natureza a todas as manifestações da beleza íntima da realidade.

Os primórdios

7. A arte, que o cristianismo encontrou nos seus inícios, era o fruto maduro do mundo clássico, exprimia os seus cânones estéticos e, ao mesmo tempo, veiculava os seus valores. A fé impunha aos cristãos, tanto no campo da vida e do pensamento como no da arte, um discernimento que não permitia a aceitação automática deste património. Assim, a arte de inspiração cristã começou em surdina, ditada pela necessidade que os crentes tinham de elaborar sinais para exprimirem, com base na Escritura, os mistérios da fé e simultaneamente de arranjar um « código simbólico » para se reconhecerem e identificarem especialmente nos tempos difíceis das perseguições. Quem não recorda certos símbolos que foram os primeiros vestígios duma arte pictórica e plástica? O peixe, os pães, o pastor... Evocavam o mistério, tornando-se quase insensivelmente esboços de uma arte nova.

Quando, pelo édito de Constantino, foi concedido aos cristãos exprimirem-se com plena liberdade, a arte tornou-se um canal privilegiado de manifestação da fé. Por todo o lado, começaram a despontar majestosas basílicas, nas quais os cânones arquitectónicos do antigo paganismo eram assumidos sim, mas reajustados às exigências do novo culto. Como não recordar pelo menos a antiga Basílica de S. Pedro e a de S. João de Latrão, construídas pelo imperador Constantino? Ou, no âmbito dos esplendores da arte bizantina, a Haghia Sophía de Constantinopla querida por Justiniano?

Enquanto a arquitectura desenhava o espaço sagrado, a necessidade de contemplar o mistério e de o propor de modo imediato aos simples levou progressivamente às primeiras expressões da arte pictórica e escultural. Ao mesmo tempo surgiam os primeiros esboços de uma arte da palavra e do som; e se Agostinho incluía também, entre as temáticas da sua produção, um De musica, Hilário, Ambrósio, Prudêncio, Efrém da Síria, Gregório de Nazianzo, Paulino de Nola, para citar apenas alguns nomes, faziam-se promotores de poesia cristã, que atinge frequentemente um alto valor não só teológico mas também literário. A sua produção poética valorizava formas herdadas dos clássicos, mas bebia na linfa pura do Evangelho, como justamente sentenciava o Santo poeta de Nola: « A nossa única arte é a fé, e Cristo é o nosso canto ».(12) Algum tempo mais tarde, Gregório Magno, com a compilação do Antiphonarium, punha as premissas para o desenvolvimento orgânico daquela música sacra tão original, que ficou conhecida pelo nome dele. Com as suas inspiradas modulações, o Canto Gregoriano tornar-se-á, com o passar dos séculos, a expressão melódica típica da fé da Igreja durante a celebração litúrgica dos Mistérios Sagrados. Assim, o « belo » conjugava-se com o « verdadeiro », para que, também através dos caminhos da arte, os ânimos fossem arrebatados do sensível ao eterno.

Não faltaram momentos difíceis neste caminho. A propósito precisamente do tema da representação do mistério cristão, a antiguidade conheceu uma áspera controvérsia, que passou à história com o nome de « luta iconoclasta ». As imagens sagradas, já então difusas na devoção do povo de Deus, foram objecto de violenta contestação. O Concílio celebrado em Niceia no ano 787, que estabeleceu a legitimidade das imagens e do seu culto, foi um acontecimento histórico não só para a fé mas também para a própria cultura. O argumento decisivo a que recorreram os Bispos para debelar a controvérsia, foi o mistério da Encarnação: se o Filho de Deus entrou no mundo das realidades visíveis, lançando, pela sua humanidade, uma ponte entre o visível e o invisível, é possível pensar que analogamente uma representação do mistério pode ser usada, pela dinâmica própria do sinal, como evocação sensível do mistério. O ícone não é venerado por si mesmo, mas reenvia ao sujeito que representa.(13)

Carta do papa João Paulo II aos artistas - parte III

A Idade Média

8. Os séculos seguintes foram testemunhas dum grande desenvolvimento da arte cristã. No Oriente, continuou a florescer a arte dos ícones, vinculada a significativos cânones teológicos e estéticos e apoiada na convicção de que, em determinado sentido, o ícone é um sacramento: com efeito, de modo análogo ao que sucede nos sacramentos, ele torna presente o mistério da Encarnação nalgum dos seus aspectos. Por isso mesmo, a beleza dum ícone pode ser apreciada sobretudo no interior de um templo, com os candelabros que ardem e suscitam na penumbra infinitos reflexos de luz. A este respeito, escreve Pavel Florenskij: « Bárbaro, pesado, fútil à luz clara do dia, o ouro reanima-se com a luz trémula dum candelabro ou duma vela, que o faz cintilar aqui e ali com miríades de fulgores, fazendo pressentir outras luzes não terrestres que enchem o espaço celeste ».(14)

No Ocidente, são muito variadas as perspectivas e os pontos donde partem os artistas, dependendo também das convicções fundamentais presentes no ambiente cultural do respectivo tempo. O património artístico, que se foi acumulando ao longo dos séculos, conta um florescimento vastíssimo de obras sacras de alta inspiração, que deixam cheio de admiração mesmo o observador do nosso tempo. Em primeiro plano, situam-se as grandes construções do culto, onde a funcionalidade sempre se une ao génio artístico, e este último se deixa inspirar pelo sentido do belo e pela intuição do mistério. Nascem daí estilos bem conhecidos na História da Arte. A força e a simplicidade do românico, expressa nas catedrais ou nas abadias, vai-se desenvolvendo gradualmente nas ogivas e esplendores do gótico. Dentro destas formas, não existe só o génio dum artista, mas a alma dum povo. Nos jogos de luzes e sombras, nas formas ora massiças ora ogivadas, intervêm certamente considerações de técnica estrutural, mas também tensões próprias da experiência de Deus, mistério « tremendo » e « fascinante ». Como sintetizar em poucos traços, nas diversas expressões da arte, a força criativa dos longos séculos da Idade Média cristã? Uma cultura inteira, embora com as limitações humanas sempre presentes, impregnara-se de Evangelho, e onde o pensamento teológico realizava a Summa de S. Tomás, a arte das igrejas submetia a matéria à adoração do mistério, ao mesmo tempo que um poeta admirável como Dante Alighieri podia compor « o poema sagrado, para o qual concorreram céu e terra »,(15) como ele próprio classifica a Divina Comédia.

Humanismo e Renascimento

9. A feliz estação cultural, em que tem origem o florescimento artístico extraordinário do Humanismo e do Renascimento, apresenta também reflexos significativos do modo como os artistas desse período concebiam o tema religioso. Naturalmente as inspirações são tão variadas como os seus estilos, ou pelo menos como os mais importantes deles. Mas, não é minha intenção lembrar coisas que vós, artistas, bem conheceis. Dado que vos escrevo deste Palácio Apostólico, escrínio de obras-primas talvez único no mundo, quero antes fazer-me voz dos maiores artistas que por aqui disseminaram as riquezas do seu génio, permeado frequentemente de grande profundidade espiritual. Daqui fala Miguel Ângelo, que na Capela Sistina de algum modo compendiou, desde a Criação ao Juízo Universal, o drama e o mistério do mundo, retratando Deus Pai, Cristo Juiz, o homem no seu fatigante caminho desde as origens até ao fim da História. Daqui fala o génio delicado e profundo de Rafael, apontando, na variedade das suas pinturas e de modo especial na « Disputa » da Sala da Assinatura, o mistério da revelação de Deus Trinitário, que na Eucaristia Se faz companheiro do homem, e projecta luz sobre as questões e os anelos da inteligência humana. Daqui, da majestosa Basílica dedicada ao Príncipe dos Apóstolos, da colunata que sai dela como dois braços abertos para acolher a humanidade, falam ainda Bramante, Bernini, Borromini, Maderno, para citar apenas os maiores, oferecendo plasticamente o sentido do mistério que faz da Igreja uma comunidade universal, hospitaleira, mãe e companheira de viagem para todo o homem à procura de Deus.

A arte sacra encontrou, neste conjunto extraordinário, uma força expressiva excepcional, atingindo níveis de imorredoiro valor quer estético quer religioso. O que vai caracterizando cada vez mais tal arte, sob o impulso do Humanismo e do Renascimento e das sucessivas tendências da cultura e da ciência, é um crescente interesse pelo homem, pelo mundo, pela realidade histórica. Esta atenção, por si mesma, não é de modo algum um perigo para a fé cristã, centrada sobre o mistério da Encarnação e, portanto, sobre a valorização do homem por parte de Deus. Precisamente os maiores artistas acima mencionados no-lo demonstram. Bastaria pensar no modo como Miguel Ângelo exprime nas suas pinturas e esculturas, a beleza do corpo humano.(16)

Aliás, mesmo no novo clima dos últimos séculos quando parte da sociedade parece indiferente à fé, a arte religiosa não cessou de avançar. A constatação torna-se ainda mais palpável, se da vertente das artes figurativas se passa a considerar o grande desenvolvimento que, neste mesmo período de tempo, teve a música sacra, composta para as necessidades litúrgicas, ou apenas relacionada com temas religiosos. Sem contar tantos artistas que a ela se dedicaram amplamente (como não lembrar Pero Luís de Palestrina, Orlando de Lasso, Tomás Luís de Victoria?), é sabido que muitos dos grandes compositores — de Händel a Bach, de Mozart a Schubert, de Beethoven a Berlioz, de Listz a Verdi — nos ofereceram obras de altíssima inspiração também neste campo.